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Câncer de mama: debate em SP discute impacto de cosméticos no tratamento

23 de outubro de 2026
Câncer de mama: debate em SP discute impacto de cosméticos no tratamento

Destaques

  • •Evento em São Paulo debateu a relação entre cosméticos e o tratamento oncológico, com foco no câncer de mama.
  • •Pesquisas indicam que alguns compostos em produtos de uso diário podem influenciar o diagnóstico e o tratamento, embora não causem diretamente a doença.
  • •Especialistas recomendam a revisão da composição de cosméticos para escolhas mais conscientes e seguras, especialmente durante o Outubro Rosa.

Um evento realizado em São Paulo na última quinta-feira (22) reuniu médicos e especialistas para debater a importância do cuidado com a pele antes e durante o tratamento oncológico, com foco especial no câncer de mama. A discussão abordou a relação entre o uso de cosméticos e o impacto que certas substâncias podem ter no diagnóstico e na progressão da doença.

O câncer de mama no Brasil

O câncer de mama é o tipo mais comum entre mulheres no Brasil, com uma incidência de aproximadamente 66,54 casos para cada 100 mil brasileiras. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que o país registrará 781 mil novos casos até 2028, um aumento de cerca de 5 mil casos anuais em relação ao período anterior. Embora a faixa etária dos 50 anos represente o maior grupo de risco, diagnósticos precoces também ocorrem em jovens, entre 20 e 30 anos. Fatores como genética, ambiente, alimentação e substâncias aplicadas no corpo podem contribuir para o desenvolvimento da doença.

Cosméticos e o risco de câncer

Pesquisas buscam analisar a relação entre cosméticos e o câncer de mama, com resultados que divergem sobre o papel exato desses produtos. Um estudo publicado na revista Chemosphere, conduzido por pesquisadores do California Pacific Medical Center Research Institute, nos EUA, investigou o efeito de produtos dermatológicos no tecido mamário. Os resultados não comprovaram que cosméticos causem diretamente o câncer, mas sugeriram que podem influenciar o diagnóstico.

Em meados de 2023, a pesquisa acompanhou mulheres saudáveis que usavam regularmente produtos de limpeza. Alguns compostos presentes nesses produtos demonstraram atividade semelhante à do estrogênio, hormônio que pode estimular o crescimento de células mamárias. Durante 28 dias, parte das voluntárias utilizou versões alternativas de produtos de uso diário com menos substâncias. Amostras de urina, sangue e células da mama foram coletadas antes e depois do período. Os resultados indicaram queda nos níveis de parabenos (conservantes químicos) na urina e alterações em processos relacionados à morte celular nas células mamárias.

A pele e a absorção de substâncias

A dermatologista Patrícia Silveira explicou que a capacidade de absorção da pele varia conforme o ingrediente, sua concentração e a região do corpo onde o produto é aplicado. "A nossa pele tem particularidades regionais, algumas áreas são mais absortivas, outras são menos. A absorção pode ser dada também através de anexos", afirmou.

O evento, promovido pela Be Clean, contou com a participação de médicos e especialistas para discutir o tema. A Be Clean desenvolveu um aplicativo que analisa rótulos de cosméticos com base em estudos e relatórios, visando alertar sobre a toxicidade de cada produto. Segundo as especialistas, rever a composição dos produtos que usamos é fundamental para fazer escolhas mais conscientes e seguras. "É bom porque a gente está revendo o que a gente usava, a gente está podendo rever formulações e, realmente, discutir e falar sobre isso", comentou Silveira.

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