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Arthur Lira articula bloco com 17 partidos para reeleição na Câmara

23 de outubro de 2026
Arthur Lira articula bloco com 17 partidos para reeleição na Câmara

Destaques

  • •Presidente da Câmara, Arthur Lira, busca formar o maior bloco da Casa para garantir sua reeleição.
  • •A formação do bloco pode isolar o PL, que tem a maior bancada, e alterar a distribuição de comissões e vagas na Mesa Diretora.
  • •A decisão final sobre a formação do bloco e o apoio do PT e PSOL-Rede deve ocorrer na próxima semana.

O presidente da Câmara, Arthur Lira (Republicanos-PB), está articulando a formação de um bloco com 17 partidos para garantir sua reeleição no comando da Casa. A iniciativa conta com o apoio de 10 partidos do Centrão, três da esquerda (PDT, PSB e PV) e a sinalização de que o PT também apoiará a sua candidatura. Se confirmada, essa aliança pode formar o maior bloco da Câmara, deixando o PL, que possui a maior bancada individual com 121 cadeiras, em uma posição isolada.

A formação de blocos é crucial para a definição da prioridade na escolha das presidências das comissões e das vagas na Mesa Diretora da Câmara. Pelas regras, partidos que formam blocos maiores têm precedência nessas escolhas, com base em um critério matemático. O PL, por ter a maior bancada isolada, teria direito às primeiras escolhas, como a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que era uma ambição declarada do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). No entanto, ao se juntar a um bloco, o tamanho do grupo prevalece sobre o da bancada individual.

Impacto na distribuição de poder

Caso o bloco de Lira se confirme com 17 partidos, os 15 primeiros pedidos para presidir comissões seriam do PT ou de partidos do Centrão, segundo projeções de técnicos do Congresso. Isso significaria que o PL ficaria apenas com a 16ª escolha, perdendo a prioridade para comissões menos prestigiadas, embora ainda pudesse manter cerca de sete comissões. A simulação considera o apoio de partidos como PSD, Republicanos, MDB, Podemos, PSB, PDT, e as federações União Brasil-PP, PSDB-Cidadania e PRD-Solidariedade, além das federações PT-PCdoB-PV e PSOL-Rede.

A estratégia de Lira pode forçar o PL a integrar o bloco. Se o partido ficar isolado, perderá a preferência nos espaços da Câmara. Ao se juntar ao bloco, o PL se tornaria o maior partido dentro do grupo e, por consequência, manteria suas preferências. Essa mesma lógica foi utilizada por Arthur Lira e pelo ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha em eleições anteriores para formar blocos que uniram desde o PT até o PL.

Próximos passos e decisões pendentes

A oficialização do bloco está prevista para o início da próxima legislatura. O PT sinalizou positivamente para Lira, mas a decisão final deve ser tomada na próxima semana, após as eleições presidenciais. Deputados como Rubens Pereira Jr. (PT-MA), Alencar Santana (PT-SP) e Carlos Zarattini (PT-SP) já se posicionaram a favor de apoiar Lira.

A federação PSOL-Rede ainda não definiu sua posição e pretende reunir a bancada na próxima semana. Integrantes do PSOL indicam que o apoio a Lira e a entrada no bloco podem depender de acordos sobre mudanças no sistema eleitoral, como a articulação do Centrão para alterar o atual sistema proporcional para o distrital misto, uma proposta que o PSOL considera prejudicial ao partido em alguns estados.

Interlocutores do PL afirmam que a decisão de integrar ou não o bloco só será tomada posteriormente, com foco inicial na disputa pela presidência do Senado. Lideranças do Centrão avaliam que o PL cometeu um erro ao antecipar seu interesse em comandar a Câmara e o Senado, baseando-se em uma leitura equivocada da força política atual. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou a declarar que o Congresso estava "muito mais à direita do que ele é hoje".

Lira, por sua vez, tem articulado sua reeleição com negociações que incluem a próxima vaga aberta no Tribunal de Contas da União (TCU), relatorias de propostas, distribuição de cargos na Mesa e nas comissões, e negociação de emendas. Um técnico do Congresso descreveu a articulação de Lira como uma "jogada de mestre", pois estar fora do "blocão" traria um prejuízo significativo para o PL, especialmente na escolha de comissões e vagas na Mesa Diretora, onde o tamanho do bloco pode garantir a todas as posições para seus integrantes.

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