Ansiedade em período eleitoral: especialistas dão dicas para lidar com o estresse

Destaques
- •Especialistas recomendam estratégias como definir horários para consumir notícias e manter rotinas saudáveis para gerenciar a ansiedade durante períodos eleitorais.
- •A psicóloga Aline Sampaio sugere escolher fontes confiáveis e questionar o valor das informações consumidas, enquanto a psiquiatra Carolina Guedes aconselha evitar conteúdos estressantes pela manhã e à noite.
- •Em caso de crise, a recomendação é focar em técnicas de respiração para acalmar o corpo antes de tentar lidar com os pensamentos, e buscar avaliação profissional se a ansiedade se tornar persistente e incapacitante.
A ansiedade durante períodos eleitorais pode ser gerenciada com estratégias como a definição de horários para consumir conteúdos, a manutenção de rotinas de sono e exercícios, e o estabelecimento de limites em discussões políticas. Quando a crise de ansiedade já se manifesta, a recomendação principal é focar em acalmar o corpo antes de tentar organizar os pensamentos.
A psicóloga clínica Aline Sampaio explica que o excesso de informação, especialmente a negativa, pode manter as pessoas em estado de alerta constante. Ela ressalta que estar informado não significa consumir conteúdo o tempo todo. Sampaio sugere escolher fontes confiáveis, reservar momentos específicos para se atualizar e questionar o valor e o impacto das informações na vida pessoal. "É importante se perguntar: qual é o valor desta informação na minha vida? Como ela me nutre? O que desperta em mim?", orienta.
Gerenciando o fluxo de informações
A psiquiatra Carolina Guedes recomenda evitar o consumo excessivo de notícias na primeira hora da manhã e na última hora da noite. Segundo ela, o fluxo contínuo de informação pode manter a amígdala, região cerebral associada ao medo, em alerta permanente. A médica também aconselha evitar conteúdos que geram indignação sem oferecer uma possibilidade de ação concreta.
Em situações de crise aguda, caracterizada por taquicardia, falta de ar e sensação de catástrofe iminente, a resposta deve ser fisiológica, não racional. Carolina Guedes afirma que tentar "pensar direito" no meio de uma crise de ansiedade é ineficaz. A psiquiatra indica técnicas de respiração lenta e diafragmática, com expiração mais longa que a inspiração, para ativar o sistema parassimpático e interromper a cascata de estresse. Somente após o corpo se acalmar é possível avaliar os pensamentos e decidir como agir.
A importância da rotina e do autocuidado
Para prevenir novas crises, a especialista aposta na regularidade e previsibilidade do ambiente interno, especialmente quando o ambiente externo é caótico. Sono adequado, alimentação balanceada, convívio social e exercício físico são pilares dessa rotina. Trinta minutos de caminhada na maioria dos dias, segundo a psiquiatra, já produzem um efeito mensurável na redução da ansiedade.
Ela também sugere concentrar energia no que está ao alcance de cada um, como escolhas pessoais, relações interpessoais e ações concretas. Discussões políticas com familiares e amigos são identificadas como um gatilho frequente para o estresse. Aline Sampaio defende que a opinião política é pessoal e reflete uma história individual, lembrando que "um voto não resume uma pessoa".
Lidando com conflitos e buscando ajuda profissional
Quando a conversa política se torna fonte de sofrimento, a psicóloga recomenda pedir um tempo, mudar de assunto ou se afastar temporariamente do ambiente, retornando quando se sentir mais confortável. Ela sugere ainda investigar as razões por trás do incômodo com a opinião alheia. O afastamento, quando necessário, é considerado legítimo pelas especialistas, especialmente diante de desrespeito, agressividade ou posições que violam a dignidade humana.
Carolina Guedes alerta, no entanto, para o risco de transformar o distanciamento em regra, o que pode empobrecer o repertório emocional e aumentar a ansiedade. A pergunta mais útil, segundo ela, não é "devo me afastar?", mas sim "essa relação ainda tem valor que justifica o custo emocional que ela me cobra?".
A preocupação com o cenário político e a consequente piora do sono em períodos de tensão são respostas esperadas. O alerta para a necessidade de intervenção surge quando a ansiedade se torna persistente e incapacitante: presente na maior parte dos dias por pelo menos seis meses, com prejuízos no trabalho, nas relações e no sono, ou com sintomas físicos sem causa orgânica identificada. Crises frequentes e insônia grave por mais de três semanas também indicam a necessidade de avaliação profissional. A psiquiatra lembra que a medicação é uma decisão individualizada e não um sinal de fraqueza, pois "o cérebro, como qualquer outro órgão, tem limites e merece cuidado".



