Brasileiras sobreviventes de câncer de mama brilham em competição na França

Destaques
- •Mulheres brasileiras que superaram o câncer de mama competiram no IBCPC Participatory Dragon Boat Festival na França.
- •A equipe brasileira 'Meninas Lua Flor', formada por remadoras de diferentes estados, conquistou o 3º lugar nos 200m e o 2º lugar nos 1.000m.
- •A participação destaca a importância do esporte na recuperação física e emocional de pacientes oncológicas.
Doze cearenses, integrantes da Associação Lua Rosa, representaram o Brasil no IBCPC Participatory Dragon Boat Festival, realizado em Aix-les-Bains, na França. A competição reuniu mulheres de diversos países que, como elas, enfrentaram o câncer de mama. A modalidade, praticada em um barco conhecido como Dragon Boat, que remete à cultura chinesa, é mais uma confraternização do que uma disputa acirrada, mas a participação brasileira rendeu bons resultados.
O Dragon Boat utiliza uma embarcação com 22 lugares: 20 remadoras, uma drummer (responsável pelo ritmo no tambor) e uma timoneira (que dá a direção). A prática foi pioneira no mundo com a equipe 'Abreast in a Boat', fundada por um médico canadense que desmistificou a recomendação de não realizar atividades físicas com os braços após a mastectomia. A iniciativa deu origem à IBCPC (International Breast Cancer Paddlers Commission), que promove a atividade globalmente. O festival, que acontece desde 2010, chegou à sua quinta edição reunindo mulheres de 25 países.
Resultados e Integração
Esta foi a primeira participação da equipe cearense Lua Rosa em um evento internacional. Para a competição, elas se uniram a 11 remadoras de Foz do Iguaçu e três de Maceió, formando o time Meninas Lua Flor. A equipe obteve resultados expressivos nas baterias disputadas, conquistando o 3º lugar na prova de 200m e o 2º lugar na de 1.000m.
Cyntia Tavares, remadora e manager da Lua Rosa, ressaltou a importância da competição para a disciplina e o cuidado com a saúde, mas enfatizou que o principal objetivo é a superação e o bem-estar. "A gente começa a desmistificar um pouco essa coisa da performance. Com certeza, a competição é muito importante, porque faz com que a gente se cuide mais, treine, tenha mais disciplina na atividade física. Então, tem um lado muito importante da competição, mas não é tudo", comentou.
O Poder do Esporte e da União
Outra equipe brasileira presente foi a Canomama, de Brasília, representada por Cleusa Alonso, fundadora do movimento nacional Remadoras Rosa do Brasil. Ela destacou que o Dragon Boat transcende o esporte, representando a transição do papel de paciente para o de atleta, recuperando força, autoestima e vitalidade.
"A integração entre as remadoras é a alma dessa jornada: no barco, a sincronia exige que todas remem no mesmo ritmo, traduzindo o princípio de que nenhuma mulher enfrenta a travessia sozinha", explicou Cleusa. O grupo Movimenta Lua, ao qual a equipe Lua Rosa pertence, conta com 25 participantes entre 45 e 65 anos e participa de competições estaduais, nacionais e internacionais.
Histórico de Conquistas
A equipe Lua Rosa já demonstrou seu potencial em outras competições. Cyntia Tavares mencionou que em uma disputa anterior em Barcelona, a equipe conquistou o ouro na categoria câncer de mama. "Na categoria câncer de mama, a gente conseguiu trazer o ouro. Não era nossa pretensão, a gente achava que não era páreo, era o nosso primeiro festival internacional, mas conquistamos essa medalha para o Brasil. E essa equipe, como o barco eram de 12 pessoas, foi só daqui de Fortaleza", enfatizou.
Entre treinos e competições, as remadoras continuam a transformar suas histórias de superação em fonte de inspiração para outras mulheres que enfrentam o câncer de mama, provando que o esporte é um poderoso aliado na jornada de cura e resgate da qualidade de vida.



