
Estudo aponta que mais de 70% da conta de luz no Brasil não são de energia
Um estudo do economista Daniel Duque, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), encomendado pelo Centro de Liderança Pública, revelou que mais de dois terços da conta de luz no Brasil não têm relação direta com o custo da energia em si. Em 2025, a parcela referente à energia elétrica consumida representará cerca de 30,4% do valor total da fatura. Em uma conta de R$ 1 mil, apenas R$ 300 seriam para cobrir o custo da energia gerada.O levantamento aponta que a composição da conta de luz é dividida em:Energia: 30,4%Distribuição: 26%Transmissão: 10%Encargos setoriais (programas sociais, subsídios): 15%Tributos: 18%Por que a conta de luz é mais cara no Brasil?Apesar de o Brasil ter uma matriz energética predominantemente renovável, com quase 90% da geração proveniente de fontes como hidrelétricas, eólica e solar, a tarifa final para o consumidor é elevada. O estudo compara o Brasil com países como Canadá, Noruega e China, que possuem perfis de geração semelhantes, mas conseguem oferecer preços mais baixos.Fatores como a exigência de compra de energia de termelétricas e pequenas hidrelétricas, além do sistema de bandeiras tarifárias que encarece a luz em períodos de seca, contribuem para o aumento do custo. A alta nas perdas de transmissão e distribuição, que são mais elevadas no Brasil em comparação com outros países, também impacta o valor final.Impacto no setor produtivo e residencialO alto custo da energia elétrica afeta diretamente o orçamento de residências e empresas. Em um condomínio na Zona Norte do Rio de Janeiro, com mais de 400 apartamentos e 3 mil moradores, a conta de luz mensal chega a R$ 40 mil, representando entre 20% e 40% do custo total do boleto e impedindo novos investimentos.Para a indústria, o impacto é ainda maior. Uma empresa de processamento de pescado, por exemplo, que opera com câmaras frias a -25ºC, vê o preço da energia elétrica pesar significativamente no orçamento. Isso torna os produtos mais caros e reduz a competitividade em relação a outros países.Medidas para reduzir custos e o cenário idealPara mitigar os efeitos do alto custo, a empresa de processamento de pescado investiu em produção de energia solar própria, trocou equipamentos por modelos mais eficientes e utiliza inteligência artificial para gerenciar o consumo, obtendo uma redução de até 30% nos custos.O gerente de Meio Ambiente da empresa sugere que uma política pública voltada para a redução do custo da energia limpa e eficiente poderia gerar produtos mais baratos para o consumidor, aumentar o emprego, o investimento e, consequentemente, impulsionar o crescimento do país.O economista Daniel Duque ressalta a necessidade de maior coordenação entre os governos federal, estadual e municipal para reduzir as perdas de transmissão e distribuição. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) manteve a bandeira tarifária verde para novembro, o que significa que não haverá acréscimo no valor da conta de luz.


